- Filha, pegue a agenda de médicos...o livrinho do convênio...aquele! – gritou a mãe,Dona
Tereza,do quarto.Ela estava preocupada com as dores que sua mãe, octagenária,
estava sentindo nas costas.Pensava em levá-la no geriatra já fazia uns dias.
- Pra que? – respondeu a filha, Patricia, cumprindo um papel típico de pré-universitária nos dias atuais, com uma ignorância cínica.Quem sabe a mãe quisesse rasgá-la né – sendo eu o cínico agora.
- Sua vó tá precisando.
Jorge Paulo, com quatorze, filho “geekultranerdplus” que gostava, além de um bom livro de história, das novas aventuras proporcionadas pelo “Mundo Plano” do Friedman. Era um curioso constante. Andava sempre conectado. Era daquele tipo que iria mover o mundo com criatividade. Percebeu, há poucos dias, uma bela idéia, inserida nesse mesmo conceito, em uma das diversas redes sociais em que estava inscrito: os médicos abriram suas agendas no Google!!!. Disse: - Mãe, hoje em dia não precisa de agendas pra marcar médico algum. Ouvi dizer, ou li na net,que dessa forma,inclusive, eles se sentem menos presos aos convênios.Posso tentar por aqui, você quer?
-Patrícia já estava voltando com o livrinho do convênio na mão. O que ela havia achado só tinha uns cinco anos de atraso. Neste momento o que valia era uma competição com o irmão.Ela adorava vencer desafios com o Paulinho.
Dona Tereza, mesmo ainda considerando o que o filho tinha dito, já ia folheando o livrinho.Foi dar na letra “G”: não havia geriatra credenciado pelo plano de saúde.Na verdade haviam dois: um em São Tomé dos Quatro,a uns 400 Km de distância e outro em Nova São Tomé dos Quatro, a uns 600.Foi ter com o Jorge.
- Jorginho “fio”, vê se você acha na internet um Geriatra pra sua vó. Tô preocupada com ela sabe?
Jorge que já estava conectado – lembram? – abriu mais uma
aba do seu navegador, foi no Google e digitou “Geriatra Bairro Jangadeiros” e
descobriu um, a pouco menos de 1(um) Km de sua casa, que atendia por reembolso
e você marcava consulta ali, na hora, na internet.Foi assim que se iniciou uma
nova mudança para família da Dona Tereza e pros médicos de sua cidade.Essa
notícia correu fácil os 800.000 habitantes da cidade e a satisfação com o sistema privado de saúde melhorou.
Até hoje, Dr Jefferson Paulo, cuida da vó do Jorge, agora com 95 anos. A família ficou muito grata com o diagnóstico de Infecção Urinária feito naquela semana. Não confiam em mais ninguém. Agora quem vai às consulta de rotinas – todas marcadas pela internet - era a própria Dona Tereza. Ah, Dona Eufrozina, sua mãe, poderia ter morrido de septicemia se a família não acreditasse neste novo mundo plano!!!
Essa pequena história serve pra ilustrar um exemplo que descobri com meu amigo médico blogueiro, Dr Leonardo Diamante, de como o mundo pode achatar para os médicos. Nesse post ele falava do presente e do futuro ao mesmo tempo. Bom, foi dessa forma que me empolguei, após ler seu ótimo texto e me cadastrei no Linha1 e hoje usufruo dos seus serviços.
Ch. B. F. inserido terapeuticamente neste novo contexto
médico - NÃO PRECISO SER PATROCINADO PRA DIVULGAR BOAS IDÉIAS - e no próximo
POST falarei dessa idéia do Linha1, com texto de um dos seus idealizadores. Lembrem-se que o mundo,hoje,é colaboração 2.0 !
Faço minhas as palavras da Sam Shirashi , em seu ótimo Blog posto esse vídeo como vídeo da semana:
Continuando a série de episódios intrigantes da nossa árdua batalha médica de todos os dias, esta semana aconteceu mais uma daquelas histórias que ilustram, de fato, o que ocorre com a profissão médica, cada vez mais solapada em suas virtudes e conceitos dentro da nossa bela história.
Nos encontramos verdadeiramente num entrave, tanto no sistema público, com baixa representatividade de nossas idéias(ver texto no Blog do colega Eduardo Santana) quanto na esfera privada, com falta de regulação e excessiva limitação do nosso trabalho pela atuação das operadoras de saúde.
Semana passada um alerta me acendeu quando me vi torcendo pelo Ronaldo Caiado em pleno plenário da Câmara dos deputados na votação do “Ato Médico”. “Peraê” ... tem algo errado. Tenho que reconhecer, também é verdade, o ilustre deputado merece minhas salvas aqui nesse humilde espaço cibermédico: ele falou, e por várias vezes, o que eu queria ao menos ter escrito e não o fiz. Eis o “mea culpa” e pronto. Vamos ter nossa profissão regulamentada em nosso país apesar dos preguiçosos médicos ... é, apesar de vocês!!! E não adianta me criticar pelos “preguiçosos” não.Estou nos dois “fronts”: o privado e o público. Posso falar de cadeira – apesar de não ter nem tempo pra sentar em uma, às vezes.Não participarmos da discussão “macro” da saúde dá até nisso, atraso em nos regulamentar como profissão, por mais milenar que sejamos. Vale frisar que depois de 7(sete) acomodados anos de “discussão” o ATO MÉDICO passou na câmara.
Ao “causo”
Dr. José Jorge nutria paixão por canetas. De vez em quando ganhava uma de um paciente, afinal de contas só podia ter uma desta forma. Como era um médico querido, os pacientes sempre davam um jeitinho de saber o mais lhe aprazia e o presentavam com uma razoável freqüência.De vez em quando, e como bom mineiro, guardava um “bocadim” para adquirir uma.
Nesse dia conseguiu uma folguinha e foi ao Shopping Center local pra comprar uma carga de uma destas belas canetas e no balcão de uma bela loja ...
- O Sr teria a carga para uma destas – mostrando o que parecia ser um modelo de “Mont Blanc” desejável para colecionadores.
- Tenho... claro....afinal poucas coisas não terei por aqui.Somos representantes desta marca, o sr. deve saber – respondeu um senhor grisalho, que parecia ter a boçalidade dos sabedores demais de um assunto específico.
- Ah, tá.Quanto custa? – já colocando a mão na carteira, perguntou o Jorge.
- São 8 reais.
- Tá caro. Não dá pra baixar? – resolveu provocar o vendedor boçal – Sabe quanto um “convênio” paga a um médico por uma consulta? Apenas 30 reais, e sem descontar os impostos heim?.
A resposta, e na “bucha”como diz no nordeste – “Então esse médico não presta!” – respondeu o boçal, mas desinformado e talvez, futuro paciente do Dr José que, envergonhado desistiu de comprar ali. Comprou duas lojas mais à frente, por dois reais e cinqüenta, mas voltou pra casa reflexivo com o que escutara. O vendedor boçal estava, dentro do seu erro, tremendamente certo.
Esta história é verídica e os nomes foram floreados por questões óbvias.
Médicos do Brasil: acordemos já. Se não quiserem acordar, faça como eu
: monte um Blog e venha fazer terapia seus preguiçosos.
Saiba mais sobre honorários médicos aqui neste post.
Veja bem, uma coisa é uma coisa e outra coisa,óbvio, outra coisa.
Longe da idéia de tentar fazer e/ou controlar informação médica na Web, surgiu a reunião com a FENAM para debater a idéia do selo médico para asssuntos/blogs/sites de saúde. A idéia é simplista,mas não tenho dúvida alguma,também é de vanguarda.Principalmente no meio médico “ultraortodoxoconservador”, do qual faço parte.
Tinha intenção apenas de tentar responder uma dúvida que
alguns pacientes e jornalistas têm a respeito de informações coletadas na
Web.Não.Minto. Na verdade eu quero, antes de mais nada, sedar o "Dr Google. Descobri - quem sabe? - minha "veia" Hannibal Lecter. Brincadeiras à parte,estamos num caminho sem volta. Precisamos, como médicos, nos adaptarmos a este novo mundo. A idéia da criação de um selo seria um passo apenas: o nosso "primeiro passo lunar",mas um grande passo para nós médicos no Brasil. Lancei, alguns dias atrás apenas, sugestão do tema, via Twitter, aos diretores da FENAM(Federação Nacional dos Médicos) e
eles, no mais estilo 2.0 de vigência do mundo plano,botaram pra discutir. Rápido, o que já é impressionante em se tratando de MÉDICOS. Quando se fala que são nossos representantes aí o negócio fica quase INACREDITÁVEL. Eles entraram
na roda do assunto, iniciada com o evento "Paciente Informado" da Intersystens a alguns meses atrás. Ponto
pros nossos representantes: eles se entusiasmaram com a idéia.
Várias pessoas têm a atual mania de procurar informações sobre saúde na rede. A Web 2.0 facilitou o processo, criando (?) e popularizando as redes sociais. Procuram no “Dr Google” respostas as suas dúvidas, em assuntos relativos à sua saúde ou de afins. Procuram antes da consulta médica e após. É, vão no “www” complementar nossas consultas rápidas, nossa quebra de relação-médico paciente, nossa falta de “tempo”em explicar o que realmente os aflige.Não os culpo.Existe um grande vácuo entre o que é pra ser feito e o que se faz.Posso discutir em outro tópico o assunto.
A dúvida que quero ver um dia respondida: como abrir uma página da Web,sobre determinado assunto em saúde, e confiar no que se lê? Minha sugestão: um “selo” atestado por uma entidade médica informando: “ESTE É UM SITE DE MÉDICO”, assim, quase explícito. Implícito, ficaria o fato da confiabilidade atestada pela sua entidade representante. Somente.
Não haveria controle de informação ou qualquer tipo de lei impondo obrigatoriedade de selo para qualquer tipo de site/blog, como pensavam alguns. A seleção da confiabilidade seria natural. Quem quisesse,bastaria solicitá-lo. Em reunião recente,em que estava somente por ser médico-blogueiro de longa data, junto ao Dr Leonardo Diamante (@ldiamante) responsável pelo Blog “...Dúvidas...” , um dos vice-presidentes da FENAM, o Dr Eduardo Santana (@meduardosantana), o publicitário e um dos responsáveis pelo Site da FENAM, via RBW, Walder Júnior, o Mário Soma (@msoma) do Grupo Pólvora e o Dr Waldir Araujo, Secretário de Cominicação da FENAM , espero que todas as dúvidas tenham sido tiradas a respeito sobre o “Selo Médico” para sites/blogs de saúde. As manifestações via Twitter (1 , 2 , 3 , 4 , 5), quando menciono o tema, já têm sido interessantes. No cerne da idéia, e aí talvez seja o ponto fundamental, é trazer nossas entidades médicas pra rede.Trazer pra discussão do que acontece, quando se trata de saúde aqui no Brasil. Sermos líderes em algum momento ao menos na nossa secular história.Eliminar todo o conservadorismo médico em voga e tentar trazer a classe médica pro momento atual. Ainda estou meio ressabiado com aquela história do ATO MÉDICO, em que ALGUÉM, não me interessa quem nem quando, ESQUECEU DE REGULAMENTAR A PROFISSÃO MÉDICA NO BRASIL. Impressionante? Mas é verdade.
Uma agenda positiva a meu ver foi criada.Espero que a idéia não morra.Penso que deva ser melhorada.Devemos chamar mais gente pra discussão.Todo ato em prol da defesa da opinião de médicos e sua livre manifestação na rede terá o apoio desse Blog.Precisamos nos mover.Já.
Neste dia 25 de junho,dia do aniversário do meu casamento,a história escreve mais uma vez sua linha:um ente mundialmente querido desencarnou.Trouxe alegria pra muitos.Chamavam-no de excêntrico,era verdade.Para mim era pouco compreendido.Não captavam sua verdadeira mensagem.Talvez não estejamos preparados para acompanhar pessoas iluminadas ainda,que transcendam a luz. Nosso mundo é crítico,excessivamente vigilante e pseudomoralista.Estou triste e só.Registro hoje apenas vídeos captados pelo linha do tempo do twitter.Hoje a internet parou pra ceder lugar a um mito.Foi um dia em que o próprio Google não acreditou em suas pesquisas.
Tento,limitadamente,passar minha mensagem.
Poucos chegaram ou chegarão aos seu pé cara.Poucos...poucos mesmo.
Fique com Deus Michael.
Reze por nós aí de cima irmão.Estamos precisando.
Imagem da semana: minhas estatísticas. Após o contador dar pau - a página nem carrega mais - resgatei o código embutido do StatCounter que usava, e ,para minha surpresa - afastado da freqüência terapêutica de postagem - as visitas e revisitas continuam.
Isto me surpreende, pois não vendo nada aqui. Não tenho nenhum objetivo de me promover,pois eticamente condeno quem deste forma faz em nome da saúde.
Abraços e boa semana a todos. Ah,e não deixem de acompanhar os "causos"médicos.Eles vão ajudar a entender como os médicos ganham o pão de cada dia.
Osteocondrites e seus epônimos
A ortopedia tem mania de “eponomear” tudo.
Talvez seja o capítulo de osteocondrite seja aquele que mais apresente epônimos
para apelido de algumas patologias. Umas mais e outras menos freqüentes. Muitas
vezes até, o próprio ortopedista é inclinado a afirmar, para facilitar
compreensão dos leigos pais, que aquilo deve se “tratar de uma doença do
crescimento”, pois, é verdade também, que muitas delas são “auto-resolvíveis” e
param de trazer problemas com o crescimento da criança. Imaginem a explicação:
“...minha senhora seu filho é portador da doença de Sinding-Larsen-Johanssen,
nada grave....”. É , não ficaria nada fácil desta forma. O termo osteocondrite,
todavia, vem mudando sua abrangência. No passado, p.ex., Osgood-Schlatter era
conhecido como uma “osteocondrite da tuberosidade anterior da tíbia proximal”.
Hoje se sabe tratar de uma tendinite insercional do tendão patelar que pode, em
alguns casos, significar até microfraturas
no osso abaixo do tendão. Seu tratamento é que não mudou muito e foge do
objetivo deste POST agora.
Aos Epônimos então:
DOENÇA DE PANNES : osteocondrite dissecante do capítulo umeral;
DOENÇA DE SINDING-LARSEN-JOHANSSEN : osteocondrite do pólo inferior da patela. Seria a tendinite insercional proximal do tendão patelar, o contrário do Osgood-Schlatter?
DOENÇA DE SEVER: osteocondrite da tuberosidade posterior do calcâneo;
DOENÇA DE KOHLER: osteocondrite do navicular do tarso;
DOENÇA DE THIEMAM: osteocondrite das epífises de falanges;
DOENÇA DE ISELIN: osteocondrite da apófise do 5º MTT(base do 5º MTT);
DOENÇA DE FRIEBERG(“Infração de Frieberg”) : osteocondrite da epífise dos metatarsianos;
DOENÇA DE KAPPIS: osteocondrite da cúpula talar;
DOENÇA DE RENNANDER: osteocondrite do sesamóides das MTTF do hálux;
DOENÇA DE LANCE: osteocondrite do Cubóide;
DONÇA DE MULLER-WEISS: osteocondrite do navicular do adulto;
DOENÇA DE FRIEDICH: necrose avascular da ext. distal da clavícula;
DOENÇA DE MOUCHET: osteocondrite do carpo;
DOENÇA DE WAGNER: osteocondrite de epífise do 1º MTT;
DOENÇA DE BUCHMAN: osteocondrite da cunha medial;
DOENÇA DE FRIEDICH: necrose avascular da extremidade distal da clavícula.
A imensa maioria destas “doenças” têm
evolução satisfatória, naturalmente, correndo seu curso normal durante o
crescimento. Boa parte delas se o ortopedista tratar demais acaba atrapalhando e gera insegurança nos familiares. Outras, como “o Frieberg, p. ex.” vão merecer
mais tarde um capítulo à parte neste Blog. Estas podem e devem merecer acompanhamento
cuidadoso com profissional especialista em pé e tornozelo.
Esta
relação não teve, de modo algum, intenção acadêmica. Serve apenas de um
adicional, de um “plus”, digamos assim, para residentes e profissionais
curiosos. Como boa parte destes epônimos-doenças se encontra no escopo do
profissional podiatra(do inglês “podiatric surgeon”), mais tarde devem ser
destrinchados por aqui.
Dúvidas?Procure seu ortopedista de confiança,pois informação alguma substitui o tato do seu médico especialista. Agregue valor com estas informações ao seu médico de confiança.Este Blog apoia a divulgação e pesquisas de pacientes sobre informação de qualidade em saúde na Web.Vamos criar um selo médico oficial? Até margarina tem!
Estou preparando para este meu terapêutico diário um Post sobre nosso
encontro #pacienteinformado promovido pelos vanguardistas InterSystems
e Grupo Polvora - por que não? - e pintou uma idéia pra aproximar a
massa formadora de opinião de nós, os médicos.Precisamos que vocês
compositores da velha e nova mídia compreendam nosso
trabalho.Escreverei pequenas histórias cheias de erros, em meu ponto de
vista, que afetam a relação fundamental e primordial do nosso trabalho:
a relação médico-paciente.Espero que os comentários de eventuais
leitores interessados pelo tema, identifiquem estes erros e façam surgir
uma nova idéia da profissão que faço parte e luto pra que seja - ou
volte a ser - tratada com o respeito que merece. Somos indivíduos que
continuam a história de 5 mil anos atrás e que pedimos ajuda através da
supra-informação prestada pela Web.
Vamos começar mais um episódio da terapia blogueira de Ch.B.f. ...
Há pouco...pouco tempo atrás num Pronto Socorro de um grande hospital da nossa querida Megalópole Sampa:
PS:Nomes e locais fictícios.Caso realístico.
Dia quente,mas o arcondicionado dava vencimento. Quem tava lá fora,
tava no calor.Dentro da unidade tava confortável.O Hitachi marcava 20
graus.Xavier era médico ortopedista dedicado a sua profissão faziam
20(vinte) anos. Esta dedicação e zelo ja haviam rendido respeito
profissional entre seus pares o suficiente pra se tornar referência de
tato profissional.Várias vezes negou convites de grandes universidades
para empreender pesquisa na area médica.O que lhe interessava era
atender o doente. Descobrir dentro da complexidade do ser humano o que
afligia. Queria curar. Era um dom, ele sentia isso. A ortopedia te
trazia ainda mais prazer, pois a qualidade de vida que devolvia a seus
pacientes se fazia escutar, quase sempre, a frase que mais gostava e que estava acima de qualquer honorário médico:
"Dr, muito obrigado". Aquele era mais um dia como outro na atividade do
Dr Xavier...
- Patrícia Ferreira! - Patrícia entra no consultório.
- Bom dia Patrícia - Dr Xavier educadamente.
- Dr, eu quero um ultrassom...
- Bom dia Patrícia.
- Ah...bom dia, mas eu vi aqui pro senhor pedir uma ultrassonorafia do
meu braço...tenho tendinite, esse caroço aqui e hoje nem fui pro
trabalho...claro né?
- Veja bem Patrícia, não é bem assim, preciso examinar você primeiro e aí sim...
- Não, não precisa, eu quero um ultrasson - já interrompendo, exasperada, o agora quase atônito Xavier ...
-
Por mais que eu indicasse, após o exame, um exame de ultrassom pra
você, isto, o exame, não tem indicação na urgência...ou seja se
pedisse, mesmo contrariando a minha conduta,seu convênio não iria
autorizar. Este caso, possivelmente um cisto sinovial não é conduzido
como uma urgência...
- Ah tá...e como você sabe que é isto...só olhando!
- Temos um pouco de experiência nestes casos...mas...por qual motivo você está falando alto comigo Patrícia?
- Quero falar com o chefe da ortopedia, pois não vim aqui pra você só olhar e nem pedir exame nenhum!
- Pode falar...sou eu mesmo...
-
Ah você...então quero falar...quero reclamar disso...isso não pode,
pagar caro no convênio e nem ultrassom poder fazer, porque o médico não
pede!
- Pode sair da minha sala por favor e pode reclamar que eu
acho que a senhorita tem este direito sim. Xavier já tinha
experiência.Este não era o primeiro e não seria também a última vez
que, em seu ambiente de trabalho, lidava com uma situação destas.
Passados
uns 10 minutos, já em outro atendimento e com a serenidade de sempre,a
Gertrudes responsável pelo SAC da instituição, vai bater a porta do Dr
Xavier - Dr, posso entrar - pergunta Gertrudes - Pode
sim,claro Gertrudes, tudo bem, como vai o joelho do seu pai?
- Tá ótimo Dr, obrigado por tudo...ahn...mas...mas, Dr tem uma moça lá em cima dizendo
que foi maltratada no atendimento prestado pelo senhor agora há pouco - a constrangida
Gertrudes, pois essa era a primeira vez em 6 anos de uma reclamação com
o Dr Xavier, sempre tão prestativo.- Ela tá chorando lá em cima dizendo
que quer falar com o Diretor do hospital.
- Sim e aí.
- E aí que eu não sei o que fazer - ainda constrangida - o Sr é o chefe da ortopedia e...
- Acho que você tem que fazer o seu trabalho.Não tem problema,repasse a reclamante para o Diretor Clínico.
Passado
uns 30 minutos, Dr Xavier, mais tranquilo na rotina do seu
trabalho,curioso e sempre interessado por todos os pacientes que por
ele passavam - mesmo os "problemáticos" - procurou saber sobre o caso da
Patrícia, com a Gertrudes do SAC - Ah o doutor Michael, diretor
clínico, já resolveu.Ele mesmo pediu o ultrassom dela...
- O que?Ele fez o quê?
- Pediu o ultrassom dela e agora ela quer saber se pode mostrar ao senhor. Ela pode passar hoje ainda?
- Não ela não pode, pois não vou mais atendê-la...a relação médico-paciente foi quebrada e vou conversar com Dr Michael agora.
Sentado
em seu gabinete de Diretor Clínico do Saint Elisabeth Brazillis Hospitals, o
Dr Michael formado numa das mais brilhantes universidades do Brasil,
tinha pouca experiência em setores de urgência.Estava ali por ser filho
do benfeitor hemérito do nosocômio e ter feito curso de gestão no XPTO,
MBA de destaque no maior estado da federação.
- Fala Xavier, o que manda cara, tudo bem?
- Deixa eu te passar uma coisa Michael Junior Stompson, nos conhecemos há quanto tempo?
- Desde que eu era estudante e te acompanhava naqueles longos plantões no Xucr-Utes Memorials...ma...ma...mas por quê?
-
Como você, meu superior hierárquico e teoricamente defensor dos nosso
interesses frente a unidade hospitalar,eleito de forma democrática
pelos nossos colegas, inclusive do grupo que chefio ...
- Claro - interrompendo e já esperando a "pedrada" que vinha do outro - e só temos elogios seus e de sua equipe...
-
...e o que você fez em relação ao caso da Patrícia - continuou o Xavier
- é éticamente inaceitável...não vou denuncia-lo à comissão de
ética,mas cabia uma representação minha...não quero prejudicá-lo.Você
não é especialista na area.Você pediu um exame, sem conhecimento de
causa.Contrariou a conduta de um especialista do serviço que você
coordena, apenas pra se livrar de uma paciente emocionalmente instável?
Saiba que ficou muito bom pra ela e ruim pro hospital.Você a ajudou a
burlar o sistema já falho.Manteve-o dentro do erro. Sua função,pelo
cargo de gestor que ocupa é procurar seu conserto.Depositamos confiança
em vocês, nossos gestores. Acha que ninguém vai saber deste "quase escandalo" não é? Eu
vou saber, um colega seu vai saber, pois você rompeu barreiras éticas
inaceitáveis para o cargo que ocupa ("você é um cuzão " pensou e
lembrando do Jonatas, seu filhinho definindo um "semnoção",mas preferiu
ficar no politicamente correto)...acomodado em seu gabinete você
precisa se alinhar com o que seus colegas anseiam pra melhorar nosso
meio profissional.O que você acha que fez?
- É eu sei, até te entendo, mas esta
"louca" já está até mais calma agora e veja só...quer mostra o exame a
você - tentando se redimir da merda feita.
- Michael,depois de seis
anos de faculdade, três de especialização, um de superespecialização,
coordenando três serviços de ortopedia,você acha realmente que não
consigo distinguir um Cisto Sinovial. Não preciso de nenhum exame pra
isto.Tchau Michael, melhor você "abraçar" o caso, pode continuar seu
tratamento.Abraços e lembranças a sua mãe (sem trocadilho,pois Xavier
já havia curado a lesão de Manguito Rotador da paciente, mãe do Michael)
É...compositores das novas mídias,parem o trem que quero descer! Neste jogo dos mais de sete erros - vários - quem se arrisca a identificá-los?
Comentários
Ch.B.F. : este post inaugurará nova seção de casos médicos que irão
ilustrar a situação dos médicos do nosso país. Não haverá senasacionalismo. Se algum colega médico
discordar das histórias,por favor manifeste-se.
O tempo é relativo. Nossa relação com ele é muito egoísta. Olhem a vida nessas imagens.Boa semana a todos.
Conseguir falar algumas "abobrinhas" sobre a conectividade médica, nos dias de hoje, ao Site "Saúde Conectada" e os caras editaram - santos editores - e ficou próxima do razoável. Na verdade até me pareço bastante esperto.Reproduzo aqui, pois liberaram o código do vídeo. Ou vejam lá ou vejam cá.
Estou devendo a 2a parte do post "Prontuário Eletrônico". Em maio deve sair.
http://picasaweb.google.com/dinnie.ribeiro/200912081#5413069048328548802Bem, se tiver paciencia pra ler todo este texto e tiver um tempinho para dar uma luz a uma mãe... read more
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